Intimidade olfativa
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Cheiro a dois, 2024
Vidro, metal e cheiro de algazarra
Inalação - curadoria / curated by Marcello Dantas - Galeria Luis Maluf, São Paulo
As obras "Cheiro a dois" e "Cheiro a sós" partem de dispositivos escultóricos olfativos para explorar modos de fruir o cheiro que envolvem o corpo em presença, a intimidade e o tempo da respiração.
Em "Cheiro a dois", o dispositivo convida duas pessoas a se colocarem frente a frente, compartilhando o mesmo aroma em sincronia. A obra investiga o gesto de respirar como uma coreografia íntima, onde o cheiro funciona como ponte entre corpos, afetos e histórias. Aqui, a experiência se dá no encontro: é preciso estar junto, aproximar-se, entregar o próprio rosto à escuta olfativa do outro.
Já em "Cheiro a sós", a fruição se torna solitária. A atenção se volta para o próprio corpo, o próprio tempo e as memórias evocadas pelo cheiro. O dispositivo é similar, mas a relação é introspectiva. O aroma mais meditativo, com notas de incenso, sugere um recolhimento, um estado contemplativo, talvez ritualístico.
Embora contenham cheiros distintos, um mais festivo, outro mais contemplativo, ambas as obras colocam o ato de cheirar no centro da experiência, menos como recepção passiva e mais como um gesto ativo de escuta, encontro e presença. Elas deslocam o foco do que se cheira para como se cheira, e com quem. São investigações sobre os dispositivos do olfato enquanto mediadores de relações: entre corpos, tempos e mundos.
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Cheiro a sós, 2024
Vidro, metal e cheiro para instrospecção

